Domingo, 28 de Fevereiro de 2010

BANDEIRA BRANCA

Fartos de Glória e de Além,

Com que a má sorte nos quis,

Façamos o que convém

(Ser igual é ser ninguém,

Ser ninguém é ser feliz!):

 

Ao mar, mapas e astrolábios

Da ousada navegação!

Jamais heróis, santos, sábios:

Basta um sorriso nos lábios

E uma pomba em cada mão.

 

ANTÓNIO COUTO VIANA

 

publicado por Eu às 13:12
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Sábado, 27 de Fevereiro de 2010

D. AFONSO HENRIQUES

Pai,  foste cavaleiro.

Hoje a vigília é nossa.

Dá-nos o exemplo inteiro

E a tua inteira força!

 

Dá, contra a hora em que, errada,

Novos infiéis vençam,

A bênção como espada,

A espada como bênção!

 

FERNANDO PESSOA

publicado por Eu às 21:47
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Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2010

BODAS VERMELHAS

As almas pedem luz. Apodrecida

A noite dorme, quieta, em seu armário.

Cantai sem medo! A cruz foi no Calvário

Que Deus a ergueu, como a anunciar a vida!

 

Cantai, rapazes! E essa juventude

Que não foi a minha, seja, ao menos, a vossa!

Que dentre todos, um, ao menos, possa

Quebrar tanto silêncio que ainda ilude!

 

As asas só são asas quando há vento.

Cantai! Cantai na força dos vinte anos!

Cantai! Cantai! Ingénuos, mas humanos,

Com lábios rubros de prometimento!

 

Não morrer hoje, que importância tem?

A paz, às vezes, lembra-nos veneno...

E tudo é falso no país sereno

Que não se bate nunca por ninguém.

 

PEDRO HOMEM DE MELO

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publicado por Eu às 22:08
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Quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2010

PRIMEIRAS LETRAS

Nasceu na minha boca uma bandeira

Revoltada no vento.

Quer eu queira ou não queira,

É ela que me dá a cor e o alento.

 

Sigo-a como o exército que segue

A pátria ali simbolizada.

- Que o grito desfraldado não me cegue

E me deixe pôr pé no pó da minha estrada.

 

ANTÓNIO COUTO VIANA

publicado por Eu às 23:18
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Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2010

SONETO AGUDIZANTE lll

São carros de combate? São G-3

Apontadas ao peito da memória?

Vitória dos escombros e da escória,

Uma epopeia, em pó, pisada aos pés.

 

Império que tão baixo se desfez,

Condenado no muro herói e glória,

Para o povo sentir sangrar na História

Vergonha de ser vivo e português.

 

O povo sofre? a massa rejubila:

Segue, cartaz e ódio, em fúria, em fila,

Enodoando as almas e as cidades.

 

Chamam futuro ao medo e à miséria,

Prendem a pátria na prisão da Ibéria

E entre o meu sonho e eu cravam as grades.

 

ANTÓNIO COUTO VIANA

publicado por Eu às 22:38
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Terça-feira, 23 de Fevereiro de 2010

DE PROFUNDIS

Agora, o meu país são dois palmos de chão

Para uma cova estreita e resignada.

Tem o formato de um caixão.

Agora, o meu país é pó, é cinza, é nada.

Reduziram-no assim para caber na mão

                Fechada!

 

ANTÓNIO COUTO VIANA

publicado por Eu às 22:31
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Segunda-feira, 22 de Fevereiro de 2010

PORTUGAL

Este mendigo, outrora, era um menino d'oiro,

Teve um Império seu, mas deixou-se roubar.

Hoje, não sabe já se é castelhano ou moiro

E vai às praias ver se ainda lhe resta o mar!

 

ANTÓNIO COUTO VIANA

publicado por Eu às 21:43
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