Quinta-feira, 13 de Maio de 2010

RESPOSTA A CAMÕES PARA SEMPRE

Nunca digas não mais, mesmo que a ferida

Te pareça mortal.

Mesmo que a gente surda e endurecida

Se chame Portugal.

 

Mesmo que o gosto da cobiça

Te roube o tecto e o chão

E nos pratos da balança da justiça

Pese mais a prisão do que o perdão.

 

Mesmo que a austera, apagada e vil tristeza

Seja mortalha de silêncio e frio

E só tenhas por rumo e por certeza

Um coração vazio.

 

Nunca digas não mais à pátria oculta:

Dela, és sonora e límpida garganta.

Exalta o espelho de ti próprio, exulta

E sempre e para sempre canta.

 

ANTÓNIO COUTO VIANA

publicado por Eu às 17:05
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Domingo, 9 de Maio de 2010

CARTA APÓCRIFA DE CAMÕES PARA HOJE

Exaltei o passado, num presente

Triste, apagado e vil.

Mas havia o futuro, mar em frente,

Para epopeias d'África e Brasil.

 

Doído, condenei

A cobiça e a traição.

Mas tinha, ao alto, um rei

Por pai e capitão.

 

Só quando a pátria amada

Cedeu às ambições alheias,

A minha voz ficou calada,

Parou o sangue em minhas veias.

 

Só quando o rei de Portugal

Deu a alma ao Céu

E o corpo nu ao areal,

Não mais, musa, não mais fui eu.

 

Quis quanta vez ressuscitar!

Bastava um rasgo de heróismo,

Asa de esperança, súbito, a rasar

O abismo,

 

E logo o pulso me pulsava,

A voz subia na garganta

E o que há de mim em mim gritava:

Canta!

 

Mas novas nuvens de desgraça

Encobriam as praias portuguesas

E o ímpeto da raça

Naufragava em baixios e baixezas.

 

Hoje, o presente

É ainda mais vil e apagado e triste

Porque, no mar em frente,

Nenhum futuro existe.

 

A cobiça e a traição,

E não um rei, é hoje quem governa:

Dorme, pois, para sempre coração!

Sê tu, silêncio, a minha pátria eterna!

 

ANTÓNIO COUTO VIANA

 

 

 

 

publicado por Eu às 14:04
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Domingo, 2 de Maio de 2010

A CAMÕES DOLOROSAMENTE

Coroa, bandeira, brasão e lema,

O vasto Império do coração,

Vou encontrá-los no teu poema:

Na pátria, não!

 

Corro o teu canto de canto a canto,

Numa demanda de salvação;

Ali, a glória do herói, do santo:

Na pátria, não!

 

Ali, num reino ditoso e amado,

Reina sem névoa Sebastião;

Ali, presente preza passado:

Na pátria, não!

 

Ali, se enlaça beleza e graça

E, na certeza de ser missão,

Tenho o tamanho da minha raça:

Na pátria, não!

 

ANTÓNIO COUTO VIANA

publicado por Eu às 12:44
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