Quinta-feira, 13 de Maio de 2010

RESPOSTA A CAMÕES PARA SEMPRE

Nunca digas não mais, mesmo que a ferida

Te pareça mortal.

Mesmo que a gente surda e endurecida

Se chame Portugal.

 

Mesmo que o gosto da cobiça

Te roube o tecto e o chão

E nos pratos da balança da justiça

Pese mais a prisão do que o perdão.

 

Mesmo que a austera, apagada e vil tristeza

Seja mortalha de silêncio e frio

E só tenhas por rumo e por certeza

Um coração vazio.

 

Nunca digas não mais à pátria oculta:

Dela, és sonora e límpida garganta.

Exalta o espelho de ti próprio, exulta

E sempre e para sempre canta.

 

ANTÓNIO COUTO VIANA

publicado por Eu às 17:05
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